Easy English Song | Somewhere Over the Rainbow (Israel Kamakawiwo’ole)
Poucas canções atravessaram tantas gerações com a mesma força de “Over the Rainbow”, também conhecida popularmente como “Somewhere Over the Rainbow”. Escrita especialmente para o filme The Wizard of Oz (O Mágico de Oz), lançado em 1939, a música tornou-se inseparável da imagem de Judy Garland interpretando Dorothy, a jovem que sonha com um lugar distante dos problemas e das limitações de sua vida cotidiana. Mais do que uma canção cinematográfica, ela se transformou em uma expressão universal de esperança, desejo e confiança na possibilidade de um mundo melhor.
A melodia foi composta por Harold Arlen, enquanto a letra ficou a cargo de Edgar Yipsel Harburg, conhecido profissionalmente como E. Y. “Yip” Harburg. Arlen já era um compositor respeitado na música popular norte-americana, com forte influência do jazz e do blues. Harburg, por sua vez, destacava-se pela habilidade de criar letras imaginativas, inteligentes e socialmente sensíveis. Em O Mágico de Oz, ele teve uma participação ainda mais ampla, ajudando a definir o tom poético das canções e alguns aspectos do desenvolvimento da história.
A composição nasceu da necessidade de criar uma balada para a sequência inicial do filme, ambientada no Kansas. Dorothy precisava de uma música que revelasse seus sentimentos e preparasse emocionalmente o público para a viagem fantástica que viria a seguir. Harburg imaginou a personagem como uma menina que vivia em um ambiente árido, difícil e praticamente sem cores, mas que conseguia enxergar no arco-íris a possibilidade de encontrar algo diferente. Esse lugar distante não representa apenas um destino geográfico. Ele simboliza os sonhos que parecem estar além de nosso alcance e a esperança de que a realidade possa se tornar mais acolhedora.
A inspiração para a melodia surgiu de maneira inesperada. Harold Arlen vinha tentando criar o tema havia algum tempo, sem encontrar uma solução que o satisfizesse. Segundo seu próprio relato, a ideia principal apareceu subitamente durante um passeio de carro por Los Angeles com sua esposa, Anya. Ele pediu que ela parasse o automóvel, retirou do bolso um pedaço de papel pautado e anotou a sequência musical que se tornaria mundialmente conhecida. Arlen desejava uma melodia de linhas amplas, capaz de transmitir a sensação de olhar para o horizonte e imaginar um mundo distante. O grande salto entre as primeiras notas contribui para produzir exatamente essa impressão de elevação, distância e descoberta.
A música quase foi retirada de O Mágico de Oz. Alguns executivos do estúdio MGM acreditavam que a sequência deixava o filme lento e consideravam inadequado mostrar Judy Garland cantando em um cenário rural. O produtor associado Arthur Freed defendeu firmemente sua permanência. A decisão revelou-se fundamental, pois a cena se tornou uma das mais famosas da história do cinema. Garland tinha apenas 16 anos quando gravou a interpretação para o filme, em outubro de 1938. Sua voz combinava juventude, delicadeza e uma expressividade surpreendentemente madura, transformando uma composição criada para uma personagem em uma mensagem reconhecível por pessoas de diferentes idades e culturas.
Em 1940, “Over the Rainbow” recebeu o Oscar de Melhor Canção Original, concedido a Harold Arlen e Yip Harburg. A música tornou-se também a assinatura artística de Judy Garland, que continuou a interpretá-la durante toda a carreira. Segundo a cantora, a composição representava o desejo compartilhado por todos de compreender por que a vida não poderia ser um pouco melhor. Essa identificação profunda com os sentimentos humanos ajuda a explicar sua permanência no imaginário popular.
Ao longo das décadas, a canção recebeu interpretações de artistas como Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Aretha Franklin, Barbra Streisand, Eva Cassidy e Ariana Grande. Cada intérprete encontrou nela um caminho próprio, aproximando-a do jazz, do pop, do soul ou da música tradicional. Uma das releituras mais conhecidas foi gravada pelo músico havaiano Israel Kamakawiwoʻole, chamado carinhosamente de “Iz”. Acompanhado apenas por seu ukulele, ele combinou “Over the Rainbow” com “What a Wonderful World”, criando uma versão serena e intimista que se popularizou em filmes, programas de televisão e campanhas publicitárias. Essa gravação também foi incorporada ao National Recording Registry dos Estados Unidos em 2021.
Os reconhecimentos concedidos à composição confirmam sua extraordinária importância cultural. A gravação de Judy Garland entrou para o Grammy Hall of Fame em 1981. Em 2001, uma seleção organizada pela Recording Industry Association of America e pelo National Endowment for the Arts colocou “Over the Rainbow” em primeiro lugar entre as canções norte-americanas mais importantes do século XX. Em 2014, ela recebeu o prêmio Towering Song, do Songwriters Hall of Fame, destinado a composições que exerceram uma influência singular e duradoura sobre a cultura. A gravação de Garland também foi incluída no National Recording Registry da Biblioteca do Congresso, que preserva registros sonoros de especial relevância histórica, cultural ou estética.
A permanência de “Over the Rainbow” vai muito além de sua beleza melódica. A música fala sobre uma experiência humana que nunca perde a atualidade: observar a realidade, reconhecer suas dificuldades e continuar imaginando que algo melhor pode existir. O arco-íris funciona como uma ponte simbólica entre o mundo presente e aquele que desejamos construir. Décadas depois de sua criação, a voz de Judy Garland ainda nos convida a olhar para o horizonte e preservar a capacidade de sonhar. Talvez esse seja o verdadeiro segredo da canção: o lugar além do arco-íris pode parecer distante, mas a esperança necessária para procurá-lo já existe dentro de cada pessoa.
Acompanhe a letra dessa música no portal Letras.mus.br


