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Easy English Song | Unchained Melody (Alex North)

Poucas canções românticas atravessaram tantas décadas e receberam tantas interpretações quanto “Unchained Melody”. Embora seja frequentemente associada à dupla The Righteous Brothers e ao filme Ghost: Do Outro Lado da Vida, sua história começou muito antes, em um modesto drama sobre a vida em uma prisão.

A música foi composta por Alex North, com letra de Hy Zaret, especialmente para o filme Unchained, lançado em 1955. Dirigida por Hall Bartlett, a produção narrava o conflito vivido por um prisioneiro que precisava decidir entre tentar fugir e passar o restante da vida sendo perseguido ou cumprir sua pena e voltar para a esposa e a família. North, responsável pela trilha sonora, criou uma melodia marcada pela saudade e pediu a Zaret que escrevesse a letra.

Inicialmente, o letrista não demonstrou muito interesse pelo trabalho. Segundo relatos, Zaret estava ocupado pintando sua casa quando recebeu o convite. Depois de alguma insistência de Alex North, aceitou participar do projeto. Os produtores desejavam que a letra contivesse a palavra unchained, que significa “libertado” ou “sem correntes”, mas Zaret recusou a sugestão. Preferiu escrever sobre uma pessoa separada de quem ama, consumida pela solidão e pelo desejo de reencontro. A palavra que deu nome à música, curiosamente, jamais aparece na letra.

No filme, “Unchained Melody” foi interpretada pelo cantor Todd Duncan. Em uma das cenas, ele aparece como um prisioneiro cantando enquanto outro detento o acompanha ao violão. Embora o filme tenha obtido pouca repercussão, a música rapidamente ganhou vida própria. Em 1955, diferentes gravações chegaram às paradas de sucesso quase simultaneamente. Les Baxter alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos com uma versão orquestral e coral, enquanto Al Hibbler, Roy Hamilton e Jimmy Young também conquistaram posições importantes. A gravação de Jimmy Young permaneceu durante três semanas no primeiro lugar da parada britânica.

A interpretação mais famosa, entretanto, surgiria dez anos depois. Em 1965, The Righteous Brothers gravaram “Unchained Melody” com produção de Phil Spector. Apesar do nome da dupla aparecer no disco, a voz principal era apenas a de Bobby Hatfield, enquanto Bill Medley não participou da interpretação vocal. Hatfield costumava cantar sozinho uma música durante os espetáculos do grupo e escolheu “Unchained Melody” para esse momento. Sua interpretação começa de maneira contida e cresce gradualmente, chegando a notas altas que transformaram a gravação em uma poderosa demonstração de emoção e técnica vocal.

A música foi lançada inicialmente no lado B do compacto “Hung On You”. Contudo, os disc jockeys perceberam seu potencial e começaram a tocar preferencialmente “Unchained Melody”. O público respondeu imediatamente, levando a gravação aos primeiros lugares das paradas. Com o tempo, ela se tornou um clássico e uma das marcas mais reconhecidas dos Righteous Brothers.

Em 1990, a utilização dessa versão no filme Ghost, protagonizado por Patrick Swayze, Demi Moore e Whoopi Goldberg, apresentou a canção a uma nova geração. A música acompanhava uma das cenas mais lembradas do cinema romântico e tornou-se tão popular novamente que a gravação original de 1965 voltou às paradas. Como questões de licenciamento dificultaram o relançamento do registro antigo como compacto, Bill Medley e Bobby Hatfield produziram uma nova versão, que também obteve grande sucesso. Durante algum tempo, as duas gravações dos Righteous Brothers disputaram simultaneamente a preferência do público.

Além deles, centenas de artistas interpretaram a composição. Elvis Presley incorporou “Unchained Melody” aos seus concertos durante os últimos meses de sua carreira e realizou uma interpretação especialmente conhecida em junho de 1977. Harry Belafonte, Cyndi Lauper, Barry Manilow, U2, Susan Boyle, Il Divo, LeAnn Rimes e muitos outros também gravaram ou apresentaram a música. Estima-se que tenham sido realizadas mais de 1.500 gravações por centenas de intérpretes, em diferentes idiomas, fazendo dela uma das composições mais regravadas do século XX.

O reconhecimento começou logo em sua criação. “Unchained Melody” recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original na cerimônia de 1956, embora o prêmio tenha sido concedido a “Love Is a Many-Splendored Thing”. A regravação feita pelos Righteous Brothers em 1990 recebeu uma indicação ao Grammy de Melhor Performance Pop por uma Dupla ou Grupo com Vocais. A gravação original de 1965 ingressou no Grammy Hall of Fame em 2000, e a música recebeu, em 2007, o prêmio Towering Song do Songwriters Hall of Fame, destinado a composições que exerceram influência cultural duradoura. Ela também ocupa a 27ª posição na seleção das cem maiores canções do cinema norte-americano elaborada pelo American Film Institute.

O extraordinário percurso de “Unchained Melody” mostra como uma obra pode ultrapassar completamente o contexto para o qual foi criada. Nascida para um filme hoje pouco lembrado, a composição sobreviveu graças à força de sua melodia, à universalidade de sua mensagem e às interpretações que lhe deram novos significados. Sua temática é simples e atemporal: a saudade de alguém distante e a esperança de que o amor resista à separação. Talvez seja justamente essa combinação de simplicidade e intensidade que permita à canção continuar emocionando ouvintes de diferentes países e gerações, mais de setenta anos depois de sua criação.

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