Aprender um idioma estrangeiro requer o domínio de quatro habilidades: ler, escrever, falar e ouvir. Hoje falaremos sobre como aprender a ler em inglês. A leitura é a habilidade mais simples e rápida de ser aprendida. Estima-se que a língua inglesa possua aproximadamente 750.000 palavras. A boa notícia é que não precisamos conhecer todas elas para obter uma proficiência razoável no idioma. De fato, conhecendo apenas as 250 palavras mais comuns da língua inglesa podemos obter uma boa compreensão de textos técnicos ou textos mais corriqueiros.

É importante destacar que existem diversos tipos de leitura. Textos literários são mais difíceis e requerem maior intimidade com o idioma. As palavras possuem múltiplos significados e os autores utilizam de seu domínio do idioma para construir cenários, imagens e, com isto, encantar o leitor e imergi-lo no mundo criado. As palavras são usadas com maestria e os seus múltiplos significados são habilmente explorados. O contrário ocorre em textos técnicos dos mais diversos tipos, em que o objetivo é ser o mais claro possível.

A figura abaixo foi extraída do livro “As palavras mais comuns da língua inglesa”. Alguns dos cognatos, ou seja, as palavras que se parecem em ambos os idiomas foram destacados com um quadrado vermelho. As palavras que não integram o grupo das 250 palavras mais comuns estão destacadas com um quadro azul.

O texto original é composto de 338 palavras. Dentre estas apenas 16 palavras, ou seja 4,7% do total, não se enquadram entre as 250 palavras mais comuns, não são nomes próprios ou numerais. A partir destes dados pode-se observar que o vocabulário absolutamente não é um problema quando se trata de dominar a língua inglesa para leitura. É uma tarefa, que requer um certo esforço, mas ao alcance de toda e qualquer pessoa.

O nosso desafio inicial consiste então em conhecer as 250 palavras mais comuns da língua inglesa. Mas temos que ir um pouco mais além. Mas não se trata apenas de aprender palavras, temos que nos familiarizar com a estrutura gramatical da língua inglesa, que é diferente da estrutura de nosso idioma natal. Para isto é fundamental que aprendamos as 250 palavras mais comuns dentro da estrutura de frases. Por exemplo, a palavra mais comum da língua inglesa, o artigo The (o, a, os, as), seria apresentada dentro de uma frase como The book is on the table, seguida da sua tradução (O livro está sobre a mesa). Esta é a metodologia adotada no livro “As palavras mais comuns da língua inglesa”, as palavras são sempre aprendidas dentro de um contexto. O livro contém as 750 palavras mais comuns da língua inglesa, mas no total são apresentadas quase 4.000 palavras, que são utilizadas na composição das frases explicativas.

Mas onde arrumar tempo para aprender estas palavras? Muito simples, você não precisa definir metas muito ambiciosas. Se você aprender uma palavra por dia, em 250 dias você já terá adquirido o vocabulário necessário para ter um razoável conforto na leitura de textos em inglês. 250 dias correspondem a aproximadamente 8 meses. Ou seja, aprendendo apenas uma palavra por dia, algo que leva não mais do que dois ou três minutos, em oito meses você já terá alcançado uma grande conquista.

Mas como memorizar? Quando eu chegar na última palavra, ao final do oitavo mês, já não terei esquecido grande parte do que estudei? Não necessariamente. A verdade é que aprendemos mais quando revisamos o material aprendido. A metodologia recomendada para realmente fixar o conhecimento é aprender uma palavra nova todos os dias e recordar todas as palavras aprendidas anteriormente. Por exemplo, no segundo dia, aprendemos uma palavra nova e relembramos a palavra aprendida no primeiro dia. No décimo dia, aprendemos uma palavra nova e revisamos as 9 palavras aprendidas anteriormente. A revisão é muito simples e também não toma tempo. Lemos a palavra, se nos recordamos de seu significado, seguimos em frente, caso tenhamos esquecido, lemos as frases de exemplo para fixar seu significado. E assim por diante, no dia 250, aprendemos uma palavra nova e revisamos as 249 anteriores. Esta metodologia é comprovada cientificamente e realmente funciona. Pode ser usada para fixar qualquer tipo de conhecimento.

Uma vez que consigamos identificar as 250 palavras mais comuns, temos então que praticar a leitura propriamente dita. Como as palavras são apresentadas em um contexto, ao final do estudo já teremos uma boa noção da estrutura gramatical da língua inglesa. Mas é preciso praticar um pouco mais, para obtermos mais desenvoltura na leitura dos textos.

É muito importante que selecionemos assuntos com os quais nos identificamos, assuntos que nos dão prazer e sobre os quais possuímos algum conhecimento. Como mostrado anteriormente, conhecendo as palavras mais comuns, os cognatos e numerais conseguimos obter a compreensão da maior parte do texto, mas ainda assim existirão algumas palavras que desconhecemos.

O primeiro ponto é que lendo um texto sobre um assunto que conhecemos, poderemos inferir mais facilmente o significado das palavras que desconhecemos. O segundo ponto, também muito importante, é que não precisamos conhecer todas as palavras de um texto para que possamos obter a informação que precisamos. Ignorar as palavras desconhecidas que não são mais importantes é algo muito difícil de fazer. Ao iniciar nosso aprendizado de um novo idioma julgamos importante conhecer todas as palavras de todos os textos que encontrarmos, mas isto não é verdade, principalmente no início dos estudos. Ignorar palavras que desconhecemos é algo que fazemos lendo textos em português, mas nem nos damos conta disto. Nossa familiaridade com a língua portuguesa é tão grande que facilmente inferimos o significado das palavras desconhecidas, sem mesmo notarmos. A habilidade de julgar as palavras que são importantes e ignorar as que não são é uma habilidade fundamental a ser desenvolvida para progredirmos em nossos estudos.

Conhecendo as 250 palavras mais comuns e os cognatos, podemos obter algo entre 70 e 90% de compreensão de um texto técnico. Faltam ainda cerca de 10% das palavras. O que fazer? O desconhecimento destes 10% do vocabulário do texto impedirão a compreensão?

Primeiramente, faça uma experiência com um texto em português. Elimine uma palavra a cada 5 e veja se consegue entender o texto. Fácil, não? Veja que interessante, se retiro uma palavra a cada 5, isto significa que estou removendo 20% das palavras do texto. Mesmo assim conseguimos ter uma boa ideia do significado geral do texto.

As palavras que desconhecemos podem ser divididas em duas categorias: as palavras importantes e as não importantes. As palavras importantes são aquelas cuja compreensão é vital para o entendimento do texto. As palavras não importantes podem ser ignoradas.

Como decidir se uma palavra é ou não importante? Muito simples, palavras importantes aparecem muitas vezes ao longo do texto e as não importantes aparecem pouquíssimas vezes e não farão falta.

Por exemplo, em um texto sobre pescaria, a palavra peixe (fish) aparecerá com grande frequência. Se esta palavra é desconhecida, poderemos inferir facilmente seu significado, pois ela aparecerá várias vezes em diversos contextos.

Vamos então dar um exemplo com uma palavra que não existe, porongar. Esta palavra é importante, então ela aparecerá diversas vezes no texto, em várias frases. Vejamos então:

  1. Eu gosto muito de porongar
    porongar é uma coisa boa, certo? Neste momento o nosso cérebro começa a formular hipóteses, buscando por coisas boas. Mas como temos agora apenas uma frase, nossas hipóteses serão muito difusas, todavia, já é um começo.
  2. Eu porongo todos os dias
    Estamos chegando mais perto, é uma coisa boa, que faço todos os dias. Por exemplo, comer, dormir, ver televisão, caminhar ao por do sol …
  3. Depois de uma noite bem porongada eu sou uma outra pessoa.
    Com esta frase eu posso deduzir com alto grau de acerto o significado da palavra porongar: dormir.

Este é o processo para deduzir pelo contexto o significado de uma palavra. Não consulte o dicionário, se não entender siga em frente. Nós temos vários processos inconscientes que nos ajudam a compreender um texto. Quando lemos algo pela primeira vez, ativamos em nosso subconsciente o conhecimento que já possuímos sobre o assunto abordado. Este conhecimento prévio irá nos ajudar na compreensão do texto como um todo. Na segunda leitura estaremos com o nosso cérebro já preparado e teremos uma maior compreensão do texto. As palavras importantes, que ocorrem com maior frequencia, em várias frases, também serão compreendidas neste momento.

Mas temos aqui um problema. Este tipo de leitura, em que ignoramos algumas palavras e procuramos inferir o significado de outras, vai contra os conceitos que muitos de nós acreditamos desde muito jovens. O esperado é que consultemos o dicionário sempre que encontrarmos uma palavra desconhecida, o que torna a leitura terrivelmente monótona e difícil.

Este ponto posso ilustrar com uma história pessoal. Decidido a ampliar meu vocabulário e ter acesso a livros em inglês, comecei a reservar alguns momentos para a leitura. De posse do livro, do caderno, do dicionário e de uma caneta, comecei minha leitura, consultando o dicionário sempre que encontrava uma palavra desconhecida. Anotei, no primeiro dia, uma página inteira de palavras desconhecidas. No segundo dia, fiz a mesma coisa, porém antes de iniciar a leitura de uma nova página, decidi reler o material que havia estudado no dia anterior. Para minha tristeza, não me recordava de quase nenhuma das palavras cujo significado havia obtido a partir do dicionário. Heroicamente, prossegui com meus estudos por uma semana. Na semana seguinte passei a inventar desculpas para mim mesmo e gradualmente abandonei a leitura. Mas como gosto muito de ler, depois de aproximadamente seis meses resolvi voltar a ler, mas com uma estratégia diferente. Nada de dicionários, nada de anotar palavras desconhecidas, simplesmente ler, sem parar. Do primeiro livro que li, um romance de ficção científica, consegui obter apenas uma compreensão muito limitada da história. Mas à medida que continuava lendo com a mesma estratégia, fui ampliando a minha compreensão. Meu vocabulário aumentou, mesmo sem consultar o dicionário. Este aumento do vocabulário se tornou possível através da inferencia do significado das palavras, que encontrava não apenas em um texto, mas em vários. Com a melhora da compreensão, o prazer pela leitura também aumentou, bem como a quantidade de livros que eu lia. Quanto mais eu lia, mais palavras conhecia e mais sólido se tornava o meu conhecimento da língua inglesa.

Esta estratégia de leitura pode soar um tanto bizarra, mas tem um fundo de lógica. Consultar uma palavra no dicionário é uma ação passiva, lemos o significado e pronto. Inferir o significado de uma palavra é um processo em que participamos ativamente. É necessário que pensemos, que formulemos hipóteses, que façamos comparações. É fato comprovado que aquelas ações em que participamos mais ativamente são fixadas de forma mais permanente na memória.

5570cookie-checkAprender a ler em inglês é mais fácil do que parece

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