Coisas estranhas que me contaram

© Rubens Queiroz de Almeida

Nos anos de 1996 e 1997 eu conduzi um curso de leitura da língua inglesa na Unicamp, do qual participaram cerca de 1.800 pessoas. Como vocês já devem ter notado nos artigos que tenho publicado, o meu enfoque é bem diferente do tradicional, que foca exclusivamente nos aspectos formais do idioma, como a gramática e vocabulário. Eu acho que a individualidade de cada um é o mais importante. Embora não seja tão óbvio, as pessoas são diferentes e aprendem de maneiras diferentes e isto é totalmente aceitável e importante.

Aprender inglês deve ser algo intelectualmente motivante e desafiador. Em minhas aulas, quando alguém me perguntava o significado de uma palavra, eu não dava a resposta de mão beijada. Eu sempre dizia: “Descubra sozinho(a)”. Parece cruel, e muita gente ficava chateada com isto a princípio, mas se eu desse a resposta, a informação ficaria retida na memória de curto prazo da pessoa e depois de alguns minutos seria descartada pelo nosso cérebro.

Existem estudos que confirmam que a melhor forma de aprender é quando nos dedicamos ativamente ao estudo. No caso do estudo de idiomas, fazemos um papel de detetive, deduzindo o significado de palavras e estruturas a partir dos elementos que conhecemos. Uma palavra desconhecida, ao aparecer em vários locais no texto, nos dá informações que nos ajudarão a deduzir seu significado. E uma vez descoberto este significado, temos uma vitória, e conquistas sempre nos fazem bem, não?

Deixa eu contar para você um caso interessante que aconteceu na Unicamp em uma de minhas aulas. Uma aluna me chamou e disse que meu método era pura enganação, que ninguém aprendia inglês daquele jeito. É verdade que eu falava umas coisas bem estranhas, como por exemplo, se não entendeu, leia mais rápido, se a palavra não for importante, ignore-a, e muitas outras coisas na mesma linha. Bom, eu então perguntei a ela o que estava acontecendo. Ela me disse que não estava entendendo nada do texto que eu havia pedido aos alunos para lerem. Então eu comecei a perguntar a ela o significado de partes do texto e ela me deu todas as respostas corretamente. O que aconteceu aqui foi que o que eu dizia era incompatível com as crenças que ela tinha, e consequentemente, ela não podia aprender daquela forma. Mesmo quando eu provei que ela estava entendendo tudo, ainda assim ela manteve sua posição de não acreditar. Ela devia comentar com seus amigos que seu professor de inglês na Unicamp contava umas coisas muito estranhas 😉

Este é um típico exemplo de uma crença limitante. Crenças limitantes são muito poderosas, elas não nos deixam progredir, mesmo quando somos confrontados com o fato de que esta limitação na verdade não existe. O aprendizado de idiomas, principalmente para adultos, é repleto de crenças limitantes, muitas das quais eu tenho tentado esclarecer nos artigos deste portal.

Realmente é difícil, as escolas tradicionais de idiomas, mesmo com resultados muito ruins, ainda são a autoridade e não é fácil as pessoas compreenderem que existe uma alternativa ao aprendizado, que é mais rica, poderosa e gratificante, não é mesmo?

Então vamos lá, desconstruindo uma crença limitante por vez, certo?

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