A Pirâmide de Aprendizagem de William Glasser

© Rubens Queiroz de Almeida

O conceito de pirâmide do aprendizado tem sido atribuído recentemente ao psiquiatra americano William Glasser (1925 – 2013), porém pesquisas bibliográficas indicam que este termo tem sido encontrado em diversas referências há mais de 160 anos. Embora exista um amplo debate sobre a sua validade, a ideia é bastante válida.

A pirâmide do aprendizado consiste de diversas atividades e indica quanto de retenção de determinado conhecimento conseguimos reter com estas atividades, como representado na figura abaixo:

A pirâmide divide os tipos de aprendizado em duas categorias:

  1. Método de aprendizado passivo (Ler, escutar, ver e ouvir)
  2. Método de aprendizado ativo (discussão em suas mais variadas formas, fazer e ensinar)

Como vocês podem ver, a pirâmide do aprendizado indica também o percentual de aprendizado em cada uma das atividades. A determinação de percentuais exatos é arriscada, mas não há dúvida de que aprendemos mais e melhor quando nos envolvemos em uma atividade. E veja que interessante, o maior percentual de retenção de conhecimento ocorre quando ensinamos. Para ensinar precisamos antes aprender, e aprender de uma forma que possa ser transmitida claramente.

Em vários de meus artigos eu tenho apresentado diversas formas de aprendizado passivo e ativo. Para exemplificar, cito aqui um exemplo relacionado ao aprendizado da língua inglesa por meio de séries de TV. De forma resumida, a minha recomendação é que cada episódio de uma série seja assistido no mínimo três vezes: 1) com legendas em português; 2) com legendas em inglês; 3) sem legendas. Esta é uma atividade passiva, sentar na cadeira e assistir. Isto feito, é hora de ativar este conhecimento. Eu recomendo que a pessoa visualize algumas cenas do episódio, e reproduza mentalmente alguns dos diálogos que ouviu. Importante, ALGUNS, não todos! Recomendo também que selecione algumas frases, preferencialmente de estruturas que ainda está aprendendo, e as repita inúmeras vezes, até que as tenha aprendido totalmente e possa reproduzi-las com outras palavras e em contextos diferentes. Com a transcrição dos episódios podemos ir ainda mais longe, lendo as falas dos atores e ensaiando mentalmente as situações. Se você conseguir encontrar um ou mais parceiros para praticar as cenas, melhor ainda.

A pirâmide do aprendizado nos mostra um roteiro de aprendizado. Se nos limitamos apenas às atividades passivas, nosso aprendizado será mais longo e provavelmente insuficiente. Precisamos desenvolver atividades tanto passivas quanto ativas para alavancar o nosso aprendizado.

Por todas estas razões, e ainda em consonância com o trabalho do Dr. William Glasser, o papel do professor é atuar como um guia, mostrando caminhos. Se você parar para pensar um pouco, verá que a maior parte de tudo que aprendeu na vida se deu fora da escola. A escola nos mostra o mapa, mas quem tem que percorrer o caminho somos nós, não existe alternativa.

Também no aprendizado da língua inglesa ocorre a mesma coisa. A metodologia que defendo é exatamente esta, apontar caminhos e estratégias, que podem ser adotados ou modificados pelos alunos, que também podem e devem criar estratégias próprias.

Destaco aqui uma frase do Dr. William Glasser:

“Quanto mais rápido você vai, mais estudantes deixa para trás. Não importa quanto ou quão rápido você ensina. A medida real é o quanto os estudantes aprenderam” (*).

A maioria das escolas de idiomas adotam uma estratégia única. Se o aluno não consegue acompanhar é deixado para trás. Como adotar uma mesma estratégia para pessoas que vêem o mundo de forma diferente e possuem habilidades diferentes? Não precisa ser assim, ainda mais com aprendizado de idiomas, em que tantas pessoas são frustradas e até mesmo prejudicadas em suas vidas devido a este enfoque único.

Para encerrar, sempre que estudar, pergunte-se de que forma pode transformar os eventos do seu dia em oportunidades para aprender inglês? De que forma pode mesclar atividades passivas com atividades ativas?

(*) The faster you go, the more students you leave behind. It doesn’t matter how much or how fast you teach. The true measure is how much students have learned.

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