Como Aprender Inglês Transforma seu Cérebro e Protege sua Mente
© Rubens Queiroz de Almeida
Falar mais de um idioma não é apenas uma habilidade social ou profissional, mas um verdadeiro treino que pode transformar a estrutura e o funcionamento do cérebro. No artigo “How a second language can boost the brain”, publicado pela Knowable Magazine, o psicolinguista Mark Antoniou detalha como o bilinguismo atua como uma ferramenta poderosa para a saúde cognitiva, desde a infância até a terceira idade.
Um dos principais benefícios destacados é o fortalecimento das chamadas funções executivas. Como o cérebro de uma pessoa bilíngue precisa constantemente gerenciar a interferência entre dois idiomas, evitando que uma palavra surja no momento errado, ele desenvolve uma capacidade superior de focar no que é relevante e ignorar distrações. Esse processo mental acaba se estendendo para tarefas que não têm relação com a linguagem, melhorando a capacidade de planejamento e multitarefa.
Fisicamente, essa prática constante altera o cérebro: estudos indicam um aumento no volume da matéria cinzenta (densidade de neurônios) e uma maior integridade da matéria branca, responsável pela comunicação eficiente entre diferentes áreas cerebrais. Para as crianças, o bilinguismo promove uma maior consciência metalinguística, permitindo que elas entendam a linguagem como um sistema abstrato mais cedo que seus colegas monolíngues.
O aspecto mais fascinante do texto, porém, refere-se ao envelhecimento. Antoniou explica que o bilinguismo pode atuar como uma forma de reserva cognitiva. Em casos de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, cérebros bilíngues mostram uma capacidade surpreendente de compensar danos, utilizando redes neurais alternativas para manter o funcionamento mental por mais tempo. Embora os benefícios sejam mais evidentes em quem pratica os idiomas desde cedo, pesquisas recentes sugerem que aprender uma nova língua após os 65 anos também traz resultados positivos, funcionando como um exercício cerebral completo que ajuda a retardar o declínio cognitivo.


